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Reflexão sobre o Assessor de Comunicação

Quem andou atento à conversa que se espalhou pelos blogs e Facebook reparou na discussão sobre a postura e papel do Assessor de Comunicação na lógica actual da Internet. Tendo começado por um post da Ângela Guedes sobre o novo paradigma no profissional de RP, a autora defendeu que os Assessores, cada vez menos, estão a sair da sombra e a ganhar mais destaque enquanto protagonistas. Esta opinião lançou uma discussão que, tendo ou não um tom mais ou menos assertivo, não deixou de me deixar a pensar no assunto durante o fim-de-semana.

Apeteceu-me na altura escrever um artigo – o tema tem pano para mangas – mas graças a uma dor de costas não o consegui fazer. Ainda bem porque o tempo de reflexão que as dores me deram permitiram ter uma luz nova sobre o tema.
O tema entretanto espalhou-se por vários blogs de profissionais e entusiastas da área. Eu exprimi a minha opinião tanto no Facebook do Luis Paixão Martins como no próprio Blog da Ângela pois acredito que devemos sempre comentar na fonte. E é uma opinião que acredito fazer sentido – discutir a postura de um profissional de RP nos novos meios vs. o serviço prestado aos seus clientes não faz totalmente sentido. Isto porque estamos a falar de duas esferas de influência completamente diferentes.

Tentei fazer um esforço por encontrar um paralelismo de comparação entre a categoria profissional / serviço prestado e outra profissão que ajude a fazer a ponte. Normalmente estas pedras de toque são o suficiente para fazer o distanciamento crítico. E a profissão que me pareceu interessante como comparação são os responsáveis dos efeitos sonoros nas grandes produções cinematográficas.

A comparação é relativamente simples:

a) Ao nível da função desenvolvida:
1. O profissional de comunicação tem funções de, numa óptica completamente linear e básica, orientar a comunicação do seu cliente no sentido que é mais relevante para o mesmo, seja estrategicamente ou reactivamente, com o objectivo de envolver o target final do cliente.
2. O especialista de efeitos sonoros tem a função de trabalhar o som da produção de forma a dar a profundidade necessária que imirja o público na totalidade.

b) Ao nível da notoriedade pessoal:
1. O profissional de comunicação tem uma esfera de influência dentro da sua área de actuação – comunicação, marketing, entre outras disciplinas semelhantes. Com a proliferação da Web Social tornou-se cada vez mais fácil para estes núcleos de profissionais falarem entre si e os líderes de opinião se destacarem de tal forma que o seu próprio modus operandi é detectável na sua actuação nos clientes. No entanto, é detectável por parte de quem os conhece bem e segue o seu trabalho.
2. O especialista de efeitos sonoros tem o mesmo tipo de alcance na Web Social. O mesmo tipo de núcleo que se cria para um tipo de profissionais tem tendência a também se criar para outro tipo. É natural que, sendo o Assessor uma profissão baseada em comunicação, que estes sejam muito mais presentes nas redes sociais do que os especialistas sonoros – mas ao nível da notoriedade gerada entre os semelhantes no meio o efeito é muito semelhante.

c) Apreensão do público final:
1. Para um público final, numa óptica geral, todas as ideias e palavras que saem de uma figura influente têm um gabinete de comunicação por trás escondido. Não há caras nem figuras que determinem a comunicação pois quem vêem é quem transmite as ideais. Não interessa qual o profissional – mesmo que seja a agência ou profissional mais premiado da área.
2. Para o público final, os efeitos sonoros vêm ou do realizador da produção ou do maestro que compôs a banda sonora. O técnico de som, responsável pela performance sonora do filme, é premiado em cerimónias como os Scientifical & Technical Awards dos Óscares. Muito reconhecido na área mas nem por isso pelo público final.

Ou seja, a moral que eu pretendo retirar daqui é que não interessa se o Assessor de Imprensa está mais ou menos na sombra. Creio que a sombra é um lugar relativo. O que interessa é que este faça a sua função para o seu cliente de forma impar, utilizando os skills que desenvolveu na sua função e tendo um cliente que saiba muito bem interpretar as orientações que dá. A sua influência online é uma derivada da emergência da social Web. Mas não esquecer o fenómeno do long tail – continua a funcionar em nichos e aglomerados de interesses, onde os lideres são diferentes de núcleo para núcleo. Portanto, não vale a pena discutir quem está ou não na sombra – interessa discutir quem é ou não bom na sua função. E os resultados não se vêem em tweets ou posts mas sim no produto final que desenvolvem.

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