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Campanhas Presidenciais 2011 nas Redes Sociais (ou não)

Falar das presidenciais neste momento é como falar da crise económica – já ninguém quer saber as circunstancias, apenas as resoluções. E, como na crise económica, ninguém tem muita esperança quanto a um final muito feliz. Eu não sou comentador político e não ambiciono ser, mas há dois tópicos que gostaria de abordar na análise a este festival – em primeiro lugar a presença (ou falta de) dos candidatos nas redes sociais e a o cuidado (ou falta de) pelos abstencionistas.

Começando pela presença em redes sociais, creio que as campanhas não foram apenas pobres no offline – foram paupérrimas no online. Se analisarmos bem a presença dos candidatos em ambiente de rede social, percebemos que eles estiveram efectivamente presentes nas principais – Facebook, Twitter, alguns Flickr e Youtube. Mas o problema é exactamente esse – foi só presença.

Aproveitei para passear um pouco pelas páginas de Facebook dos candidatos e tentar compreender a estratégia deles – apenas para concluir que não houve estratégia. Numa avaliação geral não conseguimos perceber o que é que os candidatos pretenderam atingir com a criação das suas páginas – fica apenas a sensação de “temos de estar presentes naquilo… o Facebook!”. Para além disso, utilizaram diversas tabs e aplicações, cada uma com o seu propósito, mas sem uma lógica de interacção para os utilizadores. Simplesmente cresceram como cogumelos sem haver um caminho que guie o utilizador na viagem do candidato – ideologia, interacção, feedback, apoio, entre as capacidades que podiam ter sido exploradas no Facebook. Acabamos por olhar para a página de cada um com a sensação “estou mais confuso do que quando cheguei.” Para além disto, há a questão das páginas serem personas virtuais representativas dos candidatos – não teria sido mais inteligente serem um Centro de Campanha que falam do que se passa na vida dos candidatos? Isto porque a maioria dos posts, se os considerarmos na voz do candidato, tornam-se totalmente descontextualizados dos candidatos em si.

Para além dos traços gerais da total ausência de estratégia, existem especificidades em cada um dos candidatos:

Cavaco Silva – Com uma clara obsessão para que “gostem” dele espelhada por todas as tabs do candidato, estas acabam por repetir conteúdos umas das outras. Com uma zona de “perguntas” que indiciam a uma possível interacção, neste momento é apenas uma zona de perguntas feitas com respostas do Cavaco Silva – respostas essas que têm detalhes mimosos como 4 opções de escolha na mesma resposta. Não se consegue perceber onde deveríamos estar na página.

A política de posts é minimamente coerente, passando por fotos da campanha e algumas respostas dadas pelo Sr. Presidente – destoando a pérola que acabou de ser publicada à pouco, onde o Sr. Presidente mostra a estrutura no Second Life onde vai ser o encerramento da campanha. Para além do facto de ser surreal ver uma figura que, supostamente, é o Presidente da Republica a falar do Second Life, há toda aquela parte em que eu pergunto “Mas alguém ainda vai ao Second Life”. Só faltou pedir para o seguir no Hi5.

Manuel Alegre – Com uma landing page com o seu hino, muito reminiscente ao jingle do Pingo Doce, a página do Manuel Alegre ainda consegue ser minimamente mais organizada. Com menos tabs e com um discurso nos seus posts coerente, a presença deste candidato é, pelo menos, limpa. No entanto, desde tabs que incentivam à participação e cujo formulário está com erros até a falta total de utilização de ferramentas do próprio Facebook para mais interacção com o candidato (o Obama não ensinou nada? Submissão de perguntas? Dar visibilidade aos apoiantes?), a página do Manuel Alegre é uma alegre fachada com informação unilateral – onde a pouca hipótese de feedback apenas acontece na Wall. É o mínimo, mas a meu ver, não é o suficiente.

Fernando Nobre – Sofrendo do mesmo mal que a página do Cavaco Silva, proliferam nesta página as aplicações e páginas que, todas juntas, dizem o mesmo. Sem contar que há páginas que dizem “Contribui” e não tem nada… Ora falando no tom do candidato, ora no tom do assessor de campanha, falta à página um caminho claro para guiar o utilizador na viagem da campanha que o Fernando Nobre está a fazer.

Francisco Lopes – É a página mais organizada, na minha opinião. Poucas tabs, relativamente bem aproveitadas e a utilização do Wallpaper para resumir a informação da campanha são alguns dos pontos fortes do candidato. Mas a página também passa a infeliz sensação de “cinzento” que não é característica do Facebook. Com posts ditos em seu nome, coerentemente colocados, o Francisco Lopes leva uma boa nota em informação, má nota em interactividade e atractividade. Para além disso, tinha custado tanto fazer um Page URL…?

Defensor Moura e José Manuel Coelho – São páginas pessoais… Sinto que não preciso de dizer muito mais. Acho que fico apenas por dizer que a página do José Manuel Coelho diz, logo no topo, que o candidato gosta da Britney Spears. Fico contente por ele.

Quando juntamos estas páginas todas, percebemos que estes senhores não estiveram atentos ao que se fez em campanhas presidenciais noutros países. Mas digo isto aplicado não só à presença dos próprios candidatos nas redes sociais, mas nos próprios passos de cada campanha. Faltaram os debates com perguntas feitas pelos utilizadores, as conversas entre os candidatos e os seus apoiantes, enfim, algumas acções que, não sendo novas, tinham dado um edge interessante às eleições. Atenção – não estou a dizer que não tenham tido pessoas a comentar e a seguir as páginas dos candidatos, interagindo com os utilizadores. Estou apenas a dizer que não é o suficiente tendo em conta o potencial que as Redes Sociais têm.

Portanto, learning 1 desta campanha – estar numa rede social requer saber o que queremos fazer lá. É passar a missão da campanha? É obter interacção dos consumidores? É servir de suporte a outros canais?
O learning 2 é simples – as aplicações e tabs acrescentam valor à experiencia do utilizador quando devidamente organizadas. É preciso saber guiar o utilizador pelas Tabs de forma a perceber claramente a utilidade de cada uma.

Para além disso, e entrando no segundo tópico, nada nesta campanha combateu o abstencionismo. Pelo contrário, sente-se uma absoluta saturação do público e desinteresse na mensagem política. O que me deixa a questão do porquê da não existência do voto electrónico em Portugal. É verdade que existem questões técnicas que devem ser avaliadas, mas confesso que gostaria de fazer uma análise destas eleições se existisse o voto electrónico – provavelmente conseguiríamos avaliar o verdadeiro desinteresse dos votantes no conteúdo das eleições vs a falta de vontade de votar por uma questão de simples preguiça. No entanto, e tendo em conta o estilo e canais de comunicação utilizados, o target óbvio da campanha foi bastante mais velho e, provavelmente, infoexcluído, não aparentando estar a querer comunicar para um target mais jovem e quem, na realidade, deveria ser incentivado a votar.

Como disse, não sou comentador político. Mas consigo dizer claramente que foi uma campanha totalmente old fashion sem a eloquência dos políticos de outrora. Por outro lado, havendo tão pouca substância na campanha offline, a campanha online acabou por ser coerente.

  1. 23/02/2011 às 09:27

    Só faltavam uns gráficos catitas. O teu texto e os meus gráficos, dão uma tese .🙂 Abraço. http://luislopes.info/site/historico-artigos/presidenciais-2011.html

  2. 24/02/2011 às 20:36

    Estou aberto a sugestões🙂 Parece-me uma boa ideia – quem sabe se nas próximas eleições não temos algo mais interessante.

  1. 26/01/2011 às 17:52

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