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A Web Imediata

Há sempre uma tentação de tentar prever o que vem depois. Ou seja, naturalmente temos sempre vontade de adivinhar o futuro, tentar alcançar o próximo estádio da nossa situação actual. Isto aplica-se a tudo – seja ao ver uma série, a ler um livro ou até quando estamos a antecipar um evento ou ocasião. A antecipação é um fenómeno que, no imediatismo dos meios digitais, tornou-se uma maldição que se tornou cada vez mais dificil de suportar. Estamos rápidos demais – estamos a ficar velhos.

Isto surge após ler um artigo bastante interessante e bem fundamentado na Meios e Publicidade sobre a Web 3.0. Como o Erik Lassche diz (e bem), a Web 3.0 é “um buzzword inevitável após a invenção de Web 2.0”. Desde que surgiu a noção global da Web 2.0 e suas sequelas – como a Web Social na proliferação das Redes Sociais ou a Web 2.5 na ideia de plataformas enquanto fornecedores de serviços – os estudiosos do meio têm vindo a concluir o que será a Web 3.0. A sua antecipação faz correr tinta e as opiniões tenderam a divergir a certa altura, mas neste momento encontram-se no mesmo ponto – falamos de uma web inteligente, semântica, baseada em comportamentos e padrões de utilização, que devolve menos resultados mas mais adequados à nossa pesquisa online. Isto porque é mais fácil fazer o paralelismo com o hábito da pesquisa – parece que se reduz a Web 3.0 a uma evolução natural do Google. Não é isso que a maioria dos estudiosos do tema quer dizer mas é a forma mais fácil de exemplificarem o funcionamento deste conceito que ainda está longe de ser presente.

Quanto mais penso na Web 3.0, mais vontade tenho de ler sobre os padrões de comportamento humano. Considerando a volatalidade da opinião pessoal e a fragmentação dos gostos, questiono-me sobre a eficácia de resultados alimentados por padrões de utilização directos no online. Se por um lado temos o problema da falta de unificação tecnológica – como questões de single logins e fragmentação da persona virtual em várias bases de dados – por outro, temos a questão do factor humano -dotado de imprevisibilidade e livre arbitrio, mas acima de tudo dotado da capacidade de assumir personas e comportamentos diferentes do seu comportamento natural quando está a interagir com meios digitais.

Apesar do fenómeno da persona virtual afastada do “eu” real ser cada vez menos frequente pela seriedade que os utilizadores começam a assumir relativamente à consistência dos seus comportamentos online graças à monitorização inconsciente dos seus semelhantes, o facto é que o cruzamento entre a persona fisica dos utilizadores – que conta com factores como confronto social, adaptação a meios novos, a manifestação clara de gostos e o “anonimato” proporcionado pelo meio fisico (sem hiperlinks para três ou quatros redes sociais diferentes que descrevem tudo sobre aquela pessoa) – e a sua persona virtual – menos limitada por factores de confronto e mais livre de procurar interesses paralelos que, sem serem necessáriamente fundamentais ao seu dia-a-dia, são-lhe disponibilizados por uma web em constante expansão – obtemos uma disparidade de comportamentos que podem induzir a uma interpretação correcta do nosso comportamento virtual, mas contrastante com o nosso comportamento físico.

Com mais ou menos confusão e termos, o facto é que a Web Semântica ainda é um conceito que, na minha opinião, ignora o wild card do factor humano. Isto leva-me ao título deste artigo – a Web Imediata. Sendo ou não uma sequela/derivada da Web 2.0, acredito que a Web Imediata é algo que é causa e consequência da própria evolução dos Smartphones. Cada vez mais a manifestação das nossas vontades e gostos de forma directa e imediata é sintomática. O surgimento de cada vez mais aplicações que utilizam LBS e que ligam a todas as nossas redes em simultâneo levam a que eu consiga acreditar, num futuro, na Web Semântica. O imediatismo que o Smartphone permite difundir as barreiras do real/virtual. Acredito sinceramente que a manifestação imediata dos nossos comportamentos físicos no virtual poderá ser um ponto de partida mais interessante para uma Web Semântica mais aproximada da realidade do utilizador do que somente o seu comportamento online. O que leva, claro, à necessidade da prioritização por parte dos mecânismos de apuramento de resultados para o utilizador da origem das interacções do próprio utilizador.

Isto são os meus two cents da questão. Creio que qualquer um dos estudiosos do artigo do Meios e Publicidade tem uma visão interessante e possivelmente aproximada do que será a web. Fiquei apenas na questão de como lá iremos chegar e como garantimos a fiabilidade dos resultados face ao factor humano. Fica a questão para o tempo responder.

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